Vampiros

Das mais de 1.300 espécies de morcegos existentes no mundo, apenas 3 se alimentam de sangue. São os chamados morcegos-vampiros.

É bom lembrar que eles não são vampiros de filme de terror ou demônios, mas apenas mamíferos. Não há nada de sobrenatural neles! Morcegos vampiros pertencem à família Phyllostomidae e são classificados em uma subfamília chamada Desmodontinae.

As três espécies de morcegos-vampiros existentes são apresentadas abaixo: Desmodus rotundus, Diaemus youngii e Diphylla ecaudata. Clique em uma das fotos para aumentá-la e ler as informações:

Morcegos-vampiros podem ser identificados pela “ferradura” no focinho. Essa ferradura, na verdade, é uma folha nasal modificada. Esse apêndice é típico da família Phyllostomidae.

Ataques a humanos são muito raros, só ocorrendo em lugares com baixa abundância de outros animais. Os ataques acontecem sempre à noite, quando as presas (por exemplo, bois, cavalos, porcos, cachorros e galinhas) estão dormindo. A maioria dos casos de ataques a humanos registrados até hoje estiveram ligados à espécie Desmodus rotundus. Contudo, recentemente também foram registrados casos de ataques a humanos por Diphylla ecaudata.

Os morcegos-vampiros localizam sua presa usando o olfato e a visão. Ao encontrarem e escolherem um alvo adequado, usam sua termopercepção (percepção de calor à curta distância) para saberem onde há vasos sangüíneos à flor da pela. Depois de escolherem o local, dão uma mordida rápida, superficial e quase indolor (com forma oval). Vejam esse comportamento no video abaixo:

Em sua saliva, há uma substância anticoagulante, que faz a ferida continuar sangrando além do tempo normal. Esta substância já está sendo usada na criação de novos remédios contra males da circulação.

Desmodus rotundus 2
Morcego-vampiro da espécie Desmodus rotundus atacando um cavalo. Cena reproduzida com animais empalhados no Museu de História Natural de Berlim, Alemanha. Foto por Marco A. R. Mello.

Morcegos-vampiros usam sua língua dobrada em forma de tubo para lamberem o sangue até se saciarem. Depois descansam até conseguirem urinar o excesso de água do sangue, de modo a ficarem mais leves para voar para casa. Um hábito bastante interessante que os morcegos-vampiros possuem é usar o mesmo animal e a mesma ferida por várias noites seguidas, a fim de pouparem trabalho.

É interessante notar que os morcegos-vampiros possuem menos dentes do que outros morcegos, como os frugívoros, por exemplo. Sua dentição é adaptada para alimento líquido (sangue), não contendo dentes molares e pré-molares desenvolvidos. Os dentes incisivos são muito afiados, facilitando mordidas rápidas e indolores nas presas.

Outra curiosidade sobre os vampiros é seu comportamento sofisticado em relação a outros morcegos. As interações dentro de colônias são complexas, levando à formação de redes sociais intrincadas entre parentes e não-parentes. Ocorrem fenômenos muito interessantes como a troca de alimento entre fêmeas, por exemplo. Fêmeas que não conseguem se alimentar em uma determinada noite recebem sangue regurgitado (vomitado) por outras mais afortunadas e esse compartilhamento segue uma dinâmica social complexa. Veja um exemplo no vídeo abaixo: